quarta-feira, 4 de maio de 2011

O USO DO AUTORITARISMO COMO PRÉ-REQUISITO PARA DISCIPLINAR




Uma outra tendência presente no campo da educação é a de associar a disciplina à tirania. Qualquer tentativa de elaboração de parâmetros ou definição de diretrizes é vista como prática autoritária, deformadora ou restritiva, que ameaça o espírito democrático e cerceia a liberdade e espontaneidade das crianças e jovens. A disciplina assume uma conotação de opressão e enquadramento. Portanto, todas as regras e normas existentes na escola devem ser subvertidas, abolidas ou ignoradas. Sendo assim, apresentar condutas indisciplinadas pode ser entendida como uma virtude, já que pressupõe a “coragem de ousar”, de desafiar os padrões vigentes, de se opor à tirania muitas vezes presente no cotidiano escolar. (REGO, 1995, ap. Aquino, 1996, p.86).
Entendemos, todavia, que estes temas podem (e devem) ser interpretadas de uma outra maneira, já que, vista sob aqueles ângulos, a questão da indisciplina (ou da disciplina) pode servir, de um lado, para justificar práticas despóticas e, de outro, para estimular uma espécie de tirania às avessas, na qual o projeto pedagógico fica submetido à vontade da criança ou do adolescente. (Id. Ibid.)
Acredito que devido a postura da escola, seus diretores, por exemplo, impondo uma disciplina massacradora, deva trazer por muitas vezes conflitos, estes provocados em sua maioria pela falta de preparo da escola, ou do professor, em lidar com o aluno, que muitas vezes é trazido da família para escola com outra formação cultural, muitas vezes sem limites ou por muitas vezes, ou quase sempre desobedientes e encontram professores em sua maioria despreparados para eles, que para conterem à indisciplina estão dispostos até mesmo a tiranizar, mesmo em escolas que se dizem democráticas e modernas, podemos encontrar esses professores e essas escolas governadas por ditadores da ordem.
Infelizmente para obter controle na sala de aula, alguns professores, por falta de outros meios desconhecidos por estes, preferem tratar dos alunos como numa ditadura, em que o certo é sempre o professor.
A autora Passos[1], em seu texto comenta Enguita[2]:
‘Entretanto, a maioria das instituições é reconhecida pela sociedade por algo que elas têm em comum, e que Enguita (1989) expressa como uma”observação pela manutenção da ordem”. Mesmo defendendo que a ordem é necessária em algumas situações de caráter mais técnico, ele chama a atenção para o fato de que a maioria dos professores justificam como necessidade pedagógica, além de concebê-la como condição imprescindível de uma instrução eficaz. Basta recordarmos nossa própria experiência como aluno ou professor, ou visitar uma sala de aula, para evocar ou presenciar um rosário de ordens individuais e coletivos para não fazer ruído, não falar, prestar atenção, não movimentar-se de um lugar ao outro’.
As tão conhecidas relações entre autoridade e hierarquia, em que são inseridos os alunos nas instituições escolares, vão criando uma educação para a docilidade, desenvolvendo nos indivíduos uma dependência quase infantil, que os impede de crescer como sujeitos auto-suficientes e automotivados condições estas favoráveis para o exercício de criatividade, do raciocínio e para o amadurecimento das relações. (Passos apud Aquino, p.119)
O exercício constante da autoridade sobre eles é uma forma de fazer-lhes saber e recordar-lhes que não podem tomar decisões por si mesmos, que não se pode depositar confiança neles, que devem estar sob tutela. (Enguita 1989, p.165 apud Aquino, 1996, p.119)



[1] Laurizete Ferragut Passos – Pedagoga, mestre em Educação pela UNICAMP e doutorada pela Fac. De Educação da USP.
[2] Enguita, 1989, p.163 apud Passos ap. Aquino, 1996, p. 119.

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