Os problemas de aprendizagem referem-se às situações difíceis enfrentadas pela criança normal e pela criança com desvio do quadro normal, mas com expectativa de aprendizagem a longo prazo (alunos multirepetentes). (JOSÉ & COELHO, 1995, p.23).
Pela intensidade com que apresentam os sintomas e comportamentos infantis, pela duração que eles têm na vida escolar e pela participação do lar e da escola nos processos problemáticos, fica difícil para o professor diferenciar um distúrbio de um problema de aprendizagem. (id. Ibid).
Ao educador cabe apenas detectar as dificuldades de aprendizagem que aparecem em sala de aula, principalmente nas escolas mais carentes, e investigar as causas de forma ampla, que abranja os aspectos orgânicos, neurológicos, mentais, psicológicos adicionados à problemática ambiental em que a criança vive. Essa postura facilita o encaminhamento da criança a um especialista que, ao tratar da deficiência, tem condições de orientar o professor a lidar com o aluno em salas normais ou, se considerar necessário, de indicar sua transferência para salas especiais. (id. Ibid).
Nesse trecho começa a mostrar qual a importância, de se saber e identificar problemas de aprendizagem. Como o professor vai manter sua sala num nível educacional adequado se ele não souber onde está e qual é o problema e pedir auxílio ou uma outra exigência como a criança que foge do comportamento normal aceitável.
São inúmeros fatores que podem desencadear em problema ou distúrbio de aprendizagem. São consideradas fundamentais:
· Fatores orgânicos: saúde física deficiente, alimentação inadequada, etc.
· Fatores psicológicos: inibição, fantasia, ansiedade, angústia, inadequação à realidade, sentimento generalizado de rejeição, etc.
· Fatores ambientais: o tipo de educação familiar, o grau de estimulação que a criança rebecebeu desde os primeiros dias de vida, etc. (Id.Ibid, p. 25).
Quanto aos distúrbios provocados pela própria escola e pelos professores, instalar um setor de orientação educacional, psicológica e pedagógica nas escolas ou para um grupo de escolas seria de grande ajuda. Os professores seriam orientados na adequação do programa, na elaboração de métodos a serem aplicados e na forma ideal de atender as crianças que apresentam problemas de aprendizagem.
A educação espacial, porém, ainda é uma utopia na realidade brasileira. Somente as classes sociais mais abastadas conseguem educar adequadamente uma criança com dificuldades de aprendizagem. Na escola pública, o professor deve contar com seus próprios conhecimentos e, ao detectar qualquer distúrbio, solicitar ajuda da família do aluno, para que, juntos, possam ajudar a criança a superar suas dificuldades. (Id. Ibid, p.25).
A questão é que devido à complexidade dos fatores apresentados como os problemas de aprendizagem, é tratado com descaso em algumas escolas públicas e os professores por sua vez não encontram apoio e estão despreparados para oferecer qualquer solução.
Outra questão percebida é a crítica às crianças que possuem algum problema que o professor ou desconheça ou não tolere, como a gagueira por exemplo.
A falta de atenção seletiva é um dos fatores decorrentes dos problemas de aprendizagem, e ocorre naturalmente nas escolas, sendo muitas vezes confundida com outros fatores. Muitos professores se queixam de seus alunos por não prestarem atenção as suas aulas, e quando perguntados não sabem nem se quer do que foi dito, se houvesse algum conhecimento por parte desses professores certamente saberiam que existem muitas explicações para tal atitude. Desde que seja função do professor observar e anotar questões sobre o seu aluno, seria importante que estes se preocupassem com os motivos, e para tal seria necessário que estivesse capacidade para tal avaliação.
“É função do professor verificar a existência de problemas visuais em seus alunos, através de observações de suas atitudes e rendimento escolar, além de aplicação de testes de acuidade.”
(Jose & Coelho, 1995, p. 143)
Ao educador cabe examinar e acompanhar o comportamento de cada criança dentro da expectativa de um padrão médio normal, assim como avaliar o resultado da aprendizagem de acordo com a media do grupo ao qual a criança pertence.
É de sua competência não deixar exclusivamente por conta das ‘diferenças individuais’ os possíveis problemas, algumas vezes de ordem apenas psicológica (família ou social), mas detectar prováveis causas orgânicas – neste caso, além do encaminhamento psicológico, também o acompanhamento médico (neurologista) se faz necessário (Id. Ibid, p.158-159)
Já que seria da competência do professor, porque não colocar disciplinas nas faculdades de educação que favoreçam o desempenho deste na sala de aula. A prioridade atualmente está para diminuir o currículo, de quatro para três, a UNEB (Universidade do Estado da Bahia) no final do ano de 2003 para início de 2004, mudou o currículo, modificando de três anos para quatro, ou quatro anos e seis meses, mas o que mais importa é que disciplinas serão acrescentadas? Qual a importância desta para o professor? Já que infelizmente não temos disciplina que nos coloque numa situação segura principalmente em relação a saber lidar com o aluno, dentro de uma sala de aula.
Dentre as inúmeras abordagens, foram selecionadas algumas:
Para alguns médicos, psicólogos ou educadores, distúrbios são problemas ou dificuldades no processo de ensino-aprendizagem. Isso porque, para esse grupo, distúrbios são perturbações de origem biológica, neurológica, intelectual, psicológica, sócio-econômica ou educacional, encontradas em escalares, que podem tornar-se problemas para a aprendizagem dessas crianças (Tarnopal[1], ap. Drouet, 1990, p.91)
Um segundo grupo, por sugestão de Kirk e Baterman, em 1962, prefere reservar a expressão distúrbios de aprendizagem apenas para aqueles casos de crianças com dificuldade de aprendizagem de causas desconhecidas, uma vez que essas crianças não apresentam defeitos físicos, sensoriais, emocionais ou intelectuais de espécie alguma. Suas dificuldades recebiam várias designações, tais como: hiperatividade, hipercinesia, síndrome de criança hiperativa, disfunção cerebral mínima, dificuldade de aprendizagem ou disfunção na aprendizagem (Kirk & Baterman 1962, ap. Drouet, 1990, p.91-92)
Segundo Alan Ross, em seu livro Distúrbios psicológicos na infância, o termo distúrbio abrange uma variedade de problemas de diferentes espécies e devido a causas diferentes, o que pode ocasionar confusão no diagnóstico e mesmo tratamento. Todas essas crianças têm em comum a dificuldade de aprendizagem em condições normais de sala de aula. Ross então sugere que o termo distúrbio de aprendizagem fique restrito apenas a casos cujos sintomas revelem dificuldades de atenção seletiva.[2] Essas dificuldades significam um retardo no desenvolvimento mental da criança. Geralmente não são deficiências irreversíveis, mas uma forma de imaturidade. (Allan Ross ap. Drouet, 1990, p.92)